segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O país das desigualdades

Apesar de a Constituição brasileira assegurar que “todos são iguais perante a lei”, na prática não é isso o que acontece. São muitos os exemplos de que a desigualdade impera por aqui. Um dos episódios mais recentes amplamente divulgado pela mídia é a grande farra das aposentadorias dos políticos brasileiros. Enquanto a maioria maciça da população tem que trabalhar 30 anos ou mais para conquistar a sonhada aposentadoria, dezenas de ex- governadores garantiram esse direito com poucos anos de trabalho. E olha que não estamos falando dos benefícios do INSS, cujo teto é de 3.467,40 reais, ou do IPESP, que garante o pagamento do último salário percebido enquanto na ativa ao servidor público aposentado. As cifras são bem mais polpudas, podendo chegar a 24.800,00 reais mensais. Segundo apurou a revista Veja em sua edição de 02/02/11, a lista dos beneficiários, incluindo ex-governadores e as viúvas que recebem pensão, soma 126 pessoas, que custam aos cofres públicos 31,5 milhões de reais por ano. Dentre elas está o ex-presidente José Sarney, que governou o Maranhão entre 1966 e 1971, e, pasmem, Humberto Bosaipo, que assumiu o cargo de governador de Mato Grosso em 2002 por apenas 10 dias. Isso mesmo, 10 dias e já se aposentou ... É um tapa na cara dos milhões de trabalhadores que suam suas camisas dia após dia por anos seguidos para, ao final da vida, quando já estão desgastados pelo cansaço e pelo tempo, serem agraciados com míseros trocados que mal pagam as contas da farmácia ou do supermercado. Onde está a decantada isonomia? Onde ficam os princípios éticos e morais? Como ensinar às futuras gerações o valor do trabalho digno? Como justificar tantas injustiças e desigualdades? A esperança é que os órgãos competentes como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Procuradoria- Geral da República estudem uma série de ações para acabar com esses privilégios junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, temos que conviver com um mínimo de 545 reais, inflação voltando com força, altas taxas de juros e as velhas raposas deitadas em berço esplêndido...

Publicado no Informativo Atefesp - edição 67